Após recompra de títulos bilionários Argentina não deve arriscar reservas “escassas”, alerta FMI

Compras pelo governo já somam cerca de US$ 404 milhões
Foto: Agustin Marcarian/Reuters

Fundo Monetário Internacional disse nesta quarta-feira (1º) que prefere que o governo da Argentina, que anunciou uma recompra de títulos em moeda estrangeira de US$ 1 bilhão, não prejudique as metas de seu programa multibilionário.

“Temos metas no programa para reservas. As reservas são escassas e preferimos não ter ações que prejudiquem o acúmulo de reservas que estamos assumindo no programa”, disse Nigel Chalk, vice-diretor do departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, quando questionado se a recompra se enquadra no objetivo do programa de acumular reservas internacionais.

O programa de recompra de títulos da Argentina foi anunciado em 18 de janeiro. O governo já gastou cerca de US$ 404 milhões em compras no mercado de títulos com valor nominal de mais de US$ 1,1 bilhão, segundo a corretora local Portfolio Personal Inversiones (PPI).

A Moody’s considerou isso uma “troca estressada” equivalente a um calote, enquanto a S&P Global Ratings a chamou de “oportunista” e equivalente a uma reestruturação da dívida ao afirmar sua nota de crédito para o país.

“A equipe tem trabalhado com as autoridades argentinas neste plano de recompra da dívida… primeiro em sua escala, como está sendo operado e depois como se encaixa no programa”, disse Chalk em entrevista à Reuters.

Ele acrescentou que a próxima revisão do programa com a Argentina, uma avaliação regular que determina se a próxima rodada de dinheiro será liberada para as autoridades argentinas, julgará se as metas foram cumpridas no final de dezembro.

As reservas cambiais brutas da Argentina totalizam cerca de US$ 42,3 bilhões, de acordo com dados de seu banco central até 27 de janeiro, enquanto os cálculos da Moody’s e da PPI mostram reservas líquidas próximas a US$ 6 bilhões.

As metas originais do programa pedem que a Argentina acumule US$ 4 bilhões a mais em reservas este ano.

Fonte: Reuters

Entrevistas

Rolar para cima