Chanceler alemão inicia viagem pela América do Sul para fortalecer relações comerciais e ambientais

Na viagem de três dias, Scholz, um social-democrata, visitará as três principais economias da região - Argentina, Chile e Brasil -, todas atualmente lideradas por líderes de esquerda na nova "maré rosa" da região
O chanceler alemão, Olaf Scholz, embarca em Berlim para visita a países do Mercosul, em 28 de janeiro de 2023. Foto: Kay Nietfeld/dpa via AP

Por Sarah Marsh, da Reuters em Berlim

chanceler alemão, Olaf Scholz, chega à Argentina neste sábado (28) para iniciar sua primeira viagem à América do Sul, enquanto seu governo busca reduzir a dependência econômica da Alemanha em relação à China e fortalecer as relações com democracias em todo o mundo.

Na viagem de três dias, Scholz, um social-democrata, visitará as três principais economias da região – Argentina, Chile e Brasil -, todas atualmente lideradas por líderes de esquerda na nova “maré rosa” da região.

No topo da agenda de negociações estará a guerra na Ucrânia e as lições tiradas dela – inclusive para Berlim, uma maior consciência da necessidade de reduzir a dependência econômica de estados autoritários.

A dependência da Alemanha em relação ao gás da Rússia desencadeou uma crise energética depois que as relações se deterioraram com a invasão do Kremlin.

A Europa em geral está correndo para reduzir sua dependência, em particular da China, para minerais críticos, essenciais para a transição para uma economia neutra em carbono – minerais nos quais a América do Sul é rica.

“Esses três países são parceiros interessantes para a diversificação de nossas relações econômicas em geral, mas também de nosso abastecimento de commodities”, disse uma autoridade do governo alemão na sexta-feira.

Sobre a concorrência da China, que investiu pesadamente na região na última década, o funcionário disse que a Alemanha simplesmente precisa ser mais ativa e também mais preparada para abraçar setores dos quais até então se esquivava.

“Por exemplo, a mineração de lítio – é uma tarefa desafiadora, especialmente em relação ao meio ambiente e aos padrões sociais. E no passado provavelmente evitamos isso […] mas não podemos nos permitir esse luxo se quisermos nos sustentar. ”

A Argentina e o Chile estão no topo do chamado “triângulo de lítio” da América do Sul, que contém o maior tesouro mundial de metal para baterias ultraleves.

O chanceler estará acompanhado de uma comitiva de cerca de uma dezena de empresários de diversos setores, além da vice-ministra da Economia, Franziska Brantner.

No Brasil, última etapa da viagem, Scholz terá a companhia da ministra do Desenvolvimento, Svenja Schulze, dado o novo ímpeto de projetos conjuntos desde a eleição de Lula, que prometeu uma reformulação na política climática brasileira.

O desmatamento na Amazônia atingiu seus níveis mais altos em 15 anos sob o presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro.

O novo foco de Lula pode ajudar a abrir caminho para um acordo de livre comércio entre a União Europeia e o bloco comercial sul-americano Mercosul – um tema que também está na pauta das conversas de Scholz com líderes regionais.

Embaixadores da UE disseram anteriormente ao Brasil que o acordo de livre comércio com o Mercosul, acordado em princípio em 2019, não será ratificado a menos que sejam tomadas medidas concretas para impedir a destruição crescente da floresta amazônica.

A visita de Scholz também é uma forte demonstração de apoio a Lula depois que apoiadores de Bolsonaro saquearam prédios do governo em 8 de janeiro, apenas uma semana após sua posse.

O chanceler vai falar sobre isso, além de visitar os memoriais das vítimas das ditaduras militares da Argentina e do Chile.

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