“Preparamos a Suframa para ter vida longa”

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O General-de-Brigada Algacir Polsin esteve no comando da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) no período de 15 de junho de 2020 a 28 de dezembro de 2022.

Em entrevista exclusiva concedida à PIM AMAZÔNIA, Polsin reconhece a forma como a gestão foi tratada, pela parceria e trabalho sinérgico na busca de soluções em prol do desenvolvimento sustentável da região.

Ele também destacou a dedicação da equipe de governança e o empenho dos servidores durante sua gestão.

“Preparamos a Suframa para ter vida longa. Nossa prioridade foi atender todo o ecossistema, nos limites da legalidade, e sempre informar o que não era possível fazer”.

O ex-superintendente espera que a integração com órgãos públicos, academia e setor produtivo continue e que projetos como o Zona Franca de Portas Abertas, Suframa nas Escolas, Zona de Desenvolvimento Sustentável Abunã-Madeira também tenham continuidade, inclusive a concretização da personalidade jurídica do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA).

Este ano o Polo Industrial de Manaus vem apresentando crescimento tanto no número de empregos quanto no faturamento, a que se deve esse movimento?

Nós fizemos um plano estratégico da Suframa, para o ano de 2022 a 2025, isso foi entregue. O caminho das pedras da Suframa, está pronto com indicadores, metas a serem atingidas, está muito bem-feito, então isso aí já é o caminho das pedras para o futuro da Suframa. 

Buscamos trabalhar, integrando os números, atores e criando pontes, não só trabalho Suframa e determinado ator, mas às vezes criando pontes entre eles.

Então esse trabalho de integração, a Suframa buscou fazer em toda a região. E acredito que teve muito sucesso, eu só tenho a agradecer a todos os atores que trabalham com a gente, todos trabalharam bem, não fomos atrapalhados, fomos apoiados.

Atores públicos, privados, governo federal, estadual, prefeitura, bancada parlamentar, e destacar os nossos servidores, menos de 10 pessoas que trouxe para trabalhar comigo, que se adaptaram, me ajudaram a exercer um bom trabalho e os funcionários de carreira da Suframa.

Você lança as ideias, mas precisa de uma equipe que torne essas ideias em realidade e a equipe da Suframa fez isso durante esses dois anos e meio.

Como está o processo de organização jurídica do Centro de Biotecnologia da Amazônia? Qual é a expectativa para que o CBA comece a operar neste novo formato?

Se eles assinarem o decreto, se tira o CNPJ, já começa. Veja bem, se eles aproveitarem os pesquisadores que estão lá, se eles contratarem os mesmos pesquisadores, haverá uma continuidade na linha de pesquisa. 

Mas a nova gestão não tem somente a vertente pesquisa, o CBA também tem a vertente sobre bionegócio, atração de investimentos, de fazer a ligação, de virar praticamente um parque tecnológico, ele vai ter mais liberdade, flexibilidade, rapidez na execução dos recursos. 

Então, a velocidade vai dar o gestor, se tiver um bom gestor à frente, ele já vai começar com uma velocidade muito forte e se o gestor for um pouco mais precavido, vai demorar um pouquinho mais, porém, a rapidez não é o fator crucial nesse momento.

O importante é que ele comece bem e tenha uma vida longa, e faça as entregas necessárias.

Ao Instituto de Pesquisa Tecnológicas de SP (IPP), nós fizemos várias visitas para tentar ver o que daria para aproveitar para o CBA, foi decisão tomada, tem que dar um CNPJ para esse CBA, e achar a melhor personalidade jurídica para ele, nós estivemos em IPT São Paulo, visitamos o CNP, o acelerador de partículas em Campinas.

Visitamos o Sismatec, vimos o ecossistema em Curitiba e Florianópolis, para tentar entender o que poderíamos trazer de experiências da parte de PD&I.

Nós temos institutos para servir de referência, para avançarmos no nosso CBA, os três principais são, Itep, Icepem, Simatec. Eles estão vindo para o Amazonas, como Instituto de Pesquisa.

A vertente não vai ser somente sobre a bioeconomia, abordará também saúde, eles tem uma bagagem de conhecimento, que vão tentar interagir com o ecossistema da região.

Qual é o próximo passo para a consolidação do programa “Zona Franca de Portas Abertas”?

O Zona Franca de Portas Abertas é uma iniciativa importantíssima, colabora com o turismo na região, leva os nossos jovens, a sociedade, a conhecerem o Polo Industrial de Manaus, a despertar vocações e muito importante para a gente. 

Uma das dificuldades que enfrentei aqui, é que o Brasil não nos conhece, então nós temos que ser reconhecidos pelo país, pelos formadores de opinião e os tomadores de decisões e esse projeto vai muito nesse sentido.

Nós tivemos várias empresas que se voluntariaram, várias receberam visitas este ano, mas ainda está muito na dependência da interveniência da Suframa.

Eu já queria que a coisa estivesse um pouquinho mais avançada, de tal maneira que as empresas já tivessem sistematizado em receber as visitas durante as semanas, por dia, e simplesmente as pessoas entrariam no nosso link e a partir dele, abriria o link da empresa e ali já conversaria com a própria empresa e agendarem suas visitas.

Ainda não está nesse nível, então ainda há alguma coisa a ser encaminhada, mas nós tivemos várias visitas, muitas empresas sendo visitadas.

Tem uma empresa que está querendo profissionalizar esse tipo de visita para o próximo ano, terceirizando inclusive essa visita dentro da própria empresa e cobrando para ser visitado.

O que para mim é completamente coerente. Eu acredito que mais do que essa sistematização que nós estamos tentando fazer, é a ideia plantada, pode ser que seja bem aproveitada até numa situação um pouco diferente do que visualizamos lá no início, como a uma mudança de gestão da Suframa.

Essa dependência da Suframa não é boa, porque essa nova gestão que considerar que “isso é a cara do gestor anterior, não quero isso”, assim pode perder.

Existe alguma iniciativa para a criação de PPBs para novos produtos na Zona Franca de Manaus como por exemplo drones ou baterias para veículos elétricos?

Nós temos duas maneiras de começar um PPB, uma por iniciativa das empresas, e algumas dessas empresas, em algumas dessas áreas. Durante esses 4 anos, nós aprovamos 245 PPBs.

Dessa contagem, 52 foram de fixação de surgir novos produtos. Isso é uma maneira, a empresa apresentando as propostas e a outra por iniciativa nossa, só que a iniciativa que tomamos, o drone como você citou, é preciso informações técnicas das empresas, se não, vamos fazer um PPB que não serve para nada.

Então, nós já tentamos fazer isso, particularmente com relação ao drone, não conseguimos avançar, de fazer esse assessoramento técnico que nos coloque em iniciativa para avançar no PPB estratégico novo. 

Mas nós estamos trabalhando, foi contratado um consultor, onde nós estamos visualizando, produtos estratégicos, para a Zona Franca de Manaus, no futuro.

Dali teremos de listar 10 produtos, e a partir deles, tentar restabelecer novos PPBs. Produtos estratégicos reconstituídos com todo o ecossistema.

Estamos fazendo uma série de consultas, para acharmos qual o Core, que se pode utilizar para fazer os novos PPBs.

Eu falei na reunião do CAS, eu tinha quatro grandes problemas, reclamações, quando assumi a Suframa, era o asfaltamento do Distrito Industrial.

Não só fizemos o asfaltamento, com os recursos de emenda parlamentar, bancada, mas com a prefeitura, fizemos toda a revitalização do Distrito, iluminação, paisagismo, o asfalto, o aumento da segurança, limpeza pública.

Hoje eu tenho orgulho de chamar alguém para visitar o distrito.

O segundo problema era o PD&I, avançou bem. Eu tinha problemas de visibilidade, efetividade recursos de pesquisas, desenvolvimento e inovação. Mas nós temos trabalhado muito nesse sentido. 

O quarto era um PBB, tínhamos uma fila de demandas, hoje temos um prazo de 120 dias, uma média de 96 dias. Na atual gestão, não é mais um problema, uma barreira.

Quais avanços na administração da Suframa podem ser destacados no período de sua gestão?

Nós avançamos, nos projetos industriais. A resolução 205, foi muito importante para a melhoria do meio ambiente de negócios, a parte dos PPBs, a parte de manter a periodicidade das reuniões do CAS a cada dois meses, isso é fundamental para manter a confiança das empresas, para poder investir.

Na parte dos projetos agropecuários, nós avançamos no edital de licitação, dos lotes do distrito agropecuário, sendo fundamental, devido a grande área que temos, com problemas de invasões, temos que dar o viés econômico.

Não conseguimos resolver o problema fundiário, mas já dei início, no momento está havendo um georeferenciamento por parte do Exército Brasileiro, por intermédio nosso, para regularizar as terras e ver quem tem direito a essa regularização.

Não vai dar tempo de acabar, mas ainda tem o problema de terras ocupadas e aí temos de ver o que pode ser feito, junto com o governo do Estado, a prefeitura. 

Mas, a parte econômica é se ter um responsável pela terra, e ele vai produzir e gerar necessidade de gente para trabalhar, ou seja, já vai ajudar a mudar o ecossistema local e nós vamos tirar um resultado econômico daquela terra, e ele vai ser o responsável por cuidar e não permitir que a terra seja invadida e ao mesmo tempo, vai preservar 80% da sua terra, ou seja, a gente consegue bater todos os viés econômicos, psicossocial, ambiental, tudo de uma só vez, e ele mesmo vai nos ajudar a melhorar a infraestrutura do local, porque tem a capacidade econômica, tem interesse econômico envolvido, será mais um  fator de força para que os atores públicos melhorem a infraestrutura do local.

Esse edital foi bastante interessante, acho que tem um grande potencial para o futuro do Distrito Agropecuário.

Na parte fiscal, nós terminamos de implantar dois sistemas muito importantes, que é o de cadastro de mercadorias internacionais, no caso o Simnac [Sistema de ingresso de Mercadoria Nacional] que nós só vamos aperfeiçoando.

No Simnac em mercadorias nacionais, agregamos o item mais, que é o aplicativo em celular  de vistoria, onde se tira uma foto de todos os dados, onde se tem a localização geográfica, horário onde foi feito, dando uma segurança na hora de uma vistoria física de um produto, isso em todas as nossas regionais. 

Nós fizemos as tratativas todas para avançar no comércio exterior, o portal único de comércio exterior, isso junto com o governo Federal, a ideia era que tivesse sido implantado agora na virada de ano, mas vai demorar um pouquinho mais.

Em PD&I, nós fizemos uma série de coisas, junto a portaria em conjunta recente, nós implantamos o Sagat [ Sistema de Acompanhamento, Gestão e Análise Tecnológica], que é o sistema para a entrega dos relatórios demonstrativos de cada PD&I de cada empresa, isso é muito importante, dá uma agilidade, acabamos com os problemas de backlog com relação aos relatórios demonstrativos, que estavam atrasados, dava 5 anos que a empresa não era verificada, e chegava-se a conclusão de que a empresa teria de pagar milhões, ou investindo no ecossistema, ou teria de pagar multa, só que já tinha chegado na decadência e o recurso estava sendo perdido.

Então, nós eliminamos essas falhas e está tudo correto.

Há uma série de ações que fizemos nesta vertente em termos de relatórios demonstrativos, implantação dos relatórios ou projetos.

E a forma de como gastar esses recursos, criamos para dar maior visibilidade, transparência e ampliamos o número de instituições de pesquisa.

Atualmente temos 136 institutos e somente 56% deles estão em Manaus. Queríamos usar esses institutos para ajudar a irradiar a riqueza do desenvolvimento, nós somos representados em todos os Estados, os quatro da Amazônia Ocidental e mais em Santana, Macapá, Amapá.

Nós temos institutos no interior do Estado, e as empresas estão aportando recursos nesses locais, o que é muito importante, e ao mesmo tempo, estamos buscando atrair novos estudos para cá e ainda, estão vindo outros institutos.

Falar de recursos IPI, foi R$ 1,6 bilhão, a maioria concentrados em Manaus. Eu acho que agora dá para irradiar um pouquinho mais e por meio dessa portaria conjunta também, elevar o sarrafo da cobrança, que realmente sejam ações efetivas, eficazes, que tenha visibilidade e a população reconheça que ali o resultando de uma política eficaz e de desenvolvimento. 

Além do Zona Franca de Portas Abertas, nós avançamos em Suframa nas Escolas, visitando várias delas, para mostrar o que é o Polo Industrial de Manaus, o que é o modelo da ZFM, para não somente irradiarmos o conhecimento mas, despertar vocações, mostrar o futuro que existem aqui dentro, para os jovens se prepararem.

Buscamos também enfatizar bastante a atração de investimentos, buscamos fazer a ligação com o governo Estadual, prefeitura municipal, e com vários outros órgãos, como por exemplo a Apex, participamos de vários fóruns e vídeos conferência, buscando prospectar novos negócios e atrair novos investimentos aqui na região. 

Buscamos sistematizar muita coisa aqui dentro da Suframa, então nosso pessoal de TI, trabalhou bastante, ainda tem muito o que fazer, essa é uma área que ainda tem de evoluir muito. 

Enquanto mais formos sistematizando, mais as coisas vão evoluindo para todas aquelas pessoas que trabalham junto com a Suframa. 

Um exemplo que eu sempre dou, era a dificuldade que havia com o Detran antigamente, para tirar uma carteira de motorista, documentação do carro e hoje em dia, tudo se faz pela internet.

Esse é o futuro que vemos para a Suframa.

Quais são as expectativas para a ZFM no ano de 2023? Existem novas empresas dispostas a se instalar no polo?

Nós tivemos uns quatro anos do atual governo Federal 666 projetos aprovados, só neste ano de 2022, tivemos cerca de 200 projetos aprovados.

Se levarmos em consideração que esses projetos têm até três anos para serem implantados, então nós vimos que durante esses quatro anos, houve uma expectativa positiva, e ela está rendendo frutos, de vez em quando temos uma empresa nova, um projeto novo sendo implantado, então há um leque de  novos projetos para serem implantados no próximo ano, o que é um sinal positivo.

Se vão ser implantados ou não, vai depender da confiança das novas empresas, do novo governo. 

Como falei no início, em torno de 95% da nossa produção vai para o mercado nacional, então precisamos que haja demanda. Somos muito vulneráveis para a condição econômica do país, o poder de compra da população, então nós teríamos de depender disso, mas nós vemos que o Polo Industrial de Manaus e a área econômica estão preparados, para que tenhamos um excelente 2023. 

Uma das áreas que estamos atuando, a parte de semicondutores, temos instituto e fábricas com projeção de vir para cá.

Temos uma legislação nova de semicondutores, que está sendo conduzida pelo governo federal, em vias de aprovação, se for aprovada vai ter capacidade de atrair novos investimentos para cá, então já é uma vertente bastante interessante.

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