Indústria de Duas Rodas do PIM luta por aquecimento em 2023

Com empresas nacionais e estrangeiras de altíssimo nível tecnológico, este setor é um dos mais alinhados com a questão climática e ambiental da Amazônia
Foto: Divulgação / Abraciclo

Por Margarida Galvão

Embalada pela frota circulante disponível no país, a Indústria de Duas Rodas do Polo Industrial de Manaus (PIM), a segunda mais importante da Zona Franca de Manaus (ZFM), que tem como carro chefe o segmento de motocicletas, se mantém em ritmo de crescimento.

Levantamento da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) aponta alta de 18,2% na produção do ano passado, um total de 1.413.222 unidades em relação ao montante de 1.195.149 fabricado em 2021.

Segundo a entidade, o resultado é o melhor para o segmento desde 2014, quando foram produzidas 1.517.662 unidades. A expectativa dos dirigentes de classe do PIM para 2023 é que o cenário aquecido se mantenha em escalada crescente.

Na avaliação do consultor da Indústria, Alfredo Lopes, o Polo de Duas Rodas é uma das mais atraentes e bem-sucedidas vitrines do PIM. Com empresas nacionais e estrangeiras de altíssimo nível tecnológico, este setor é um dos mais alinhados com a questão climática e ambiental da Amazônia pelos esforços efetivos na redução, nas emissões de carbono, no caso das motocicletas, e na contribuição múltipla de bicicletas, tanto na saúde das pessoas e do clima.

“Assim como outros setores, o segmento foi fortemente abalado pela quebra da cadeia asiática de suprimentos e a consequente escassez de peças. Entretanto, soube atrair e incentivar investimentos e novas tecnologias para regionalizar e expandir a cadeia local de insumos e de componentes para o polo de Manaus”.

PROJEÇÃO MOTOCICLETAS 2023 
 REALIZADO 2022PROJEÇÃO 2023VARIAÇÃO (%) PROJEÇÃO 2023/ REALIZADO 2022 
PRODUÇÃO1.413.2221.550.0009,7%
EXPORTAÇÃO55.33859.0006,7%
VAREJO1.361.9411.490.0009,4%
Fonte: Associadas Abraciclo

O especialista na área da indústria vê com otimismo as prospecções e projeções para este ano. Acredita que ‘com certeza não teremos as pressões e perseguições de 2022’, por exemplo.

No ano passado as empresas instaladas no PIM tiveram que despender energia extra, recursos e malabarismos para assegurar respeito aos direitos constitucionais de seus empreendimentos instalados com os incentivos fiscais do modelo ZFM.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, também aposta num cenário positivo, a exemplo do fechamento de 2022, no entanto, adverte aos fabricantes para manterem o pé no freio, diante de uma possível instabilidade, por parte do mercado, decorrente de um eventual quadro de recessão global, que vem sendo apregoado pelos economistas.

A projeção para 2023 é de baixo crescimento do PIB, estimado em 1,2%. Não obstante essas previsões de retração no cenário externo, o dirigente de classe prefere manter uma projeção positiva para o segmento de duas rodas, para o qual estima um crescimento de 6% a 8% no ano em curso.

Se tratando do segmento de motocicletas, desde o início da pandemia, em 2020, foi possível observar uma mudança de hábito do consumidor, que buscou meios de transportes alternativos para evitar aglomerações no transporte público e ter maior agilidade nos grandes centros.

“Além disso, o aumento dos serviços de delivery e a elevação dos preços dos combustíveis, o que implicou na procura por veículos mais econômicos, também foram fatores importantes para a retomada da fabricação de motos para atender o mercado brasileiro”.

Produção de motocicletas no Polo Industrial de Manaus (PIM). Foto: Divulgação / Abraciclo

RETOMADA GRADATIVA

O incremento superior a 18% na produção de motocicletas no PIM, comprovam, na avaliação do presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian, a retomada de crescimento do segmento após enfrentar um primeiro bimestre desafiador devido à pandemia da covid-19 que voltou a atingir a capital amazonense no início de 2022.

Depois disso, o ritmo de produção cresceu mês a mês para atender ao consumidor que passou a utilizar a motocicleta como instrumento de trabalho, evitar a aglomeração no transporte público, assim como ter maior agilidade e mobilidade nos centros urbanos.

“O volume final ficou bem próximo da projeção revisada, que era de 1.420.000 unidades e crescimento de 18,8%”.

Por sua vez, a diretora operacional da Mourão Consultores Associados, economista Bianca Mourão, aposta na expectativa de crescimento de, no mínimo, 5%, para 2023, em relação à produção de 2022. Esta é a meta mínima, mas que poderá ser espetacular após o crescimento de 2022 e na dependência das circunstâncias deste novo ano que iniciou. 

“Queremos seguir crescendo gradativamente para que em 2029 ou 2030 a Indústria do PIM volte ao patamar de 2 milhões de unidades produzidas por ano”.

Com base nos dados da Abraciclo, a economista enumera alguns pontos positivos do mercado, destacando o crescimento da participação do setor de duas rodas na mobilidade urbana, puxado pela agilidade no trânsito; menor custo de aquisição e manutenção; menor consumo de combustível e a possibilidade de uso para lazer e para complementar a renda em horas vagas.

“A maior demanda por entregas domiciliares nos grandes centros também puxará os negócios para cima”, disse, ressaltando a expectativa da entidade de que nos próximos meses haja uma retomada ainda mais forte do segmento, pelo fato das unidades fabris estarem mantendo a curva de produção ascendente, porque o mercado pede mais motocicletas.

Em recente coletiva de imprensa, Fermanian pontuou que hoje o consumidor procura por um veículo ágil, econômico e com baixo custo de manutenção para seus deslocamentos.  De acordo com levantamento da Abraciclo, 2022 teve o melhor resultado para o período em oito anos. Em 2014, por exemplo, houve a fabricação de 1.166.527 motocicletas.

“Estamos bem próximos do número alcançado em 2019, antes da pandemia. Naquele ano fabricou-se 1,1 milhão de unidades”. Com a nova previsão, o segmento de motocicletas deve ficar próximo ao patamar alcançado em 2014, quando foram produzidas 1.517.662 unidades. “Estamos distantes do recorde de 2,1 milhões de motocicletas produzidas em 2011. Mas, devido ao aquecimento do mercado, a indústria estará gradualmente retomando sua produção”.

Foto: Divulgação / Abraciclo

PERFORMANCE NORTISTA

A região Norte, conforme o ranking anual de emplacamentos por categoria, divulgado pela Abraciclo, apresentou o maior crescimento percentual no volume de motocicletas licenciamentos em 2022, um total de 173.763 unidades, alta de 35% na comparação com 2021 (128.680 unidades).

No cômputo geral brasileiro foram emplacadas 1.361.941 motocicletas, alta de 17,7% na comparação com 2021 (1.156.776 unidades), sendo o melhor resultado em oito anos (1.429.692 motocicletas). A expectativa da Abraciclo era fechar o ano com 1.350.000 motocicletas licenciadas.

Marcos Fermanian atesta que a Street foi a categoria mais licenciada, com 686.807 unidades e 50,4% de participação no mercado. As fábricas priorizaram a produção desse modelo para atender à alta da demanda, influenciada principalmente pela grande utilização profissional. Outras categorias também registraram aumento expressivo nos licenciamentos como a Custom, Motoneta, Scooter e Trail.

Os fabricantes de motos também tiveram um incremento positivo nas vendas feitas para exportação. Segundo a Abraciclo, as exportações totalizaram 55.338 unidades em 2022, o que corresponde a uma elevação de 3,5% na comparação com o ano anterior (53.476 motocicletas). A Colômbia foi o principal destino, com 15.686 unidades e 27,6% do volume exportado, seguido da Argentina (13.538 motocicletas e 23,8% das exportações),  e os Estados Unidos (12.211 unidades e 21,5%).

Foto: Divulgação / Abraciclo / Sense Bike

FALTOU INSUMOS

Por sua vez, a produção de bicicletas no PIM, em 2022, foi impactada pela falta de insumos e readequação na cadeia logística, o que resultou em queda de 20,1% na produção do ano, na comparação com o ano anterior. A Abraciclo atesta que 599.044 unidades saíram das linhas de montagem das fabricantes do PIM, contra 749.320 bicicletas em 2021.

De acordo com o vice-presidente do segmento de Bicicletas da Abraciclo, Cyro Gazola, as áreas de logística, compras e produção enfrentaram em 2022, o seu ano mais desafiador.

Além do desabastecimento de peças e componentes, ele aponta que os fabricantes tiveram que ajustar o planejamento das unidades fabris para se adequarem à nova demanda do mercado, que pediu por modelos de médio e alto valor agregado.

No entanto, apesar desses ajustes nas linhas de produção, os estoques nas lojas e nos centros de distribuição continuaram abastecidos para atender ao consumidor.

“O segmento atingiu o seu auge durante a pandemia do coronavírus, quando a bicicleta se tornou a grande parceira para o lazer, nos deslocamentos e na interação com a família”.

O indicador positivo na fabricação das bikes foi a bicicleta elétrica, única categoria que registrou alta no volume de produção, 10.847 unidades, aumento de 5,4% na comparação com 2021 (10.294).

Apesar de representar 1,8% do volume total de bicicletas produzidas no PIM, o modelo está cada vez mais presente nas grandes cidades. As pessoas que optam pelo pedal buscam um estilo de vida mais saudável e em sintonia com o meio ambiente.

“A bicicleta elétrica oferece agilidade nos deslocamentos e comodidade para vencer os obstáculos do percurso. O Sudeste foi a região que mais recebeu bicicletas produzidas no PIM, um total de 366.198 unidades e 61,13% do montante fabricado”.

Quanto às exportações de bikes, fecharam o ano com 29.484 unidades, volume 3,8% superior ao embarcado em 2021 (28.414). Os países do Mercosul foram o principal destino, segundo levantamento do portal Comex Stat.

O Paraguai puxou as vendas, com 19.691 unidades recebidas e 66,8% do total exportado. Na sequência, ficaram Uruguai (4.657 bicicletas e 15,8% dos embarques) e a Bolívia (2.340 unidades e 7,9%).

Foto: Isaac Júnior/Suframa

Para 2023, a Abraciclo estima que a produção de bicicletas deverá totalizar 570.000 unidades, o que representa uma retração de 4,8% na comparação com o ano passado (599.044 bicicletas).

Diante dos desafios, a perspectiva é bem conservadora, com a readequação do abastecimento das linhas de produção dos modelos de médio e alto valor agregado para atender o consumidor. Uma série de promoções deverão ser realizadas no primeiro semestre para diminuir os estoques.

“Tanto a indústria como os lojistas precisam melhorar a gestão e o fluxo de caixa”.

PROJEÇÃO DE BICICLETAS 2023
CATEGORIAREALIZADO
2022
PROJEÇÃO
2023
VARIAÇÃO %
(PROJEÇÃO 2023) /
REALIZADO 2022)
MTB373.501344.000-7,9%
Urbana/ Lazer156.019126.000-19,2%
Elétrica10.84714.00029,1%
Estrada10.23916.00056,3%
Infantojuvenil48.43870.00044,5%
TOTAL599.044570.000-4,8%
Fonte: Associadas Abraciclo

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