Meirelles diz que já pensava em autonomia do BC com Lula em 2003

Presidente do Banco Central nos primeiros governos petistas disse que "era e agia de forma independente", embora ainda não houvesse lei formal sobre o assunto
O ex-ministro Henrique Meirelles. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Por Juliana Elias e Thiago Félix / CNN em São Paulo

Presidente do Banco Central por todos os oito anos dos dois primeiros mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), Henrique Meirelles disse que tinha plena independência em suas decisões à época, embora ainda não houvesse lei formal para isso, e que, inclusive, já discutia com Lula a ideia de um projeto que garantisse a autonomia no BC nos moldes da lei que veio depois, em 2021.

“Quando eu fui ministro da Fazenda, em 2016, 2017, 2018, eu ajudei também na redação dessa lei [da autonomia do Banco Central], e é um projeto que eu já tinha desde 2003, inclusive combinado isso na época com o então presidente Lula, ou até antes, durante o período antes dele assumir o mandato, em 2002”, contou Meirelles neste sábado (18) em meio à escalada de críticas de Lula ao Banco Central e ao atual nível alto dos juros.

Meirelles disse que, sob os primeiros governos do petista, tinha uma “autonomia operacional” no BC e que a relação “funcionou muito bem”.

“Eu tinha uma conversa muito amigável e fluida seja com o presidente, que era o próprio Lula, ou com o ministro da Fazenda. Eu podia concordar com algumas sugestões que eles faziam ou não”, afirmou.

“Não tinha ainda uma lei de independência do Banco Central, mas eu era e agia de forma independente, que foi que algo que, na época, a imprensa chamou de ‘autonomia operacional’ do BC, que também funcionou muito bem, porque os agentes econômicos, os formadores de preços, empresário, consumidores etc., começaram a acreditar que o BC estava de fato agindo de forma independente. Fiquei lá oito anos e funcionou muito bem.”

Para Meirelles, é natural e faz parte do jogo que o presidente da República reclame dos juros altos e critique a política monetária, operada pelo Banco Central – “faz parte da política e em diversos países acontece”, diz. “Por isso, justamente, que o Banco Central é independente”.

Ele afirmou que, apesar da subida de tom agora, acredita que a discussão irá se dissipar ao longo do tempo, e que também, mesmo que Lula tente, dificilmente a lei que reforçou a independência do Banco Central seria revista pelo Congresso.

“Os líderes do Congresso, principalmente o presidente da Câmara, Arthur Lira, já disseram de maneira enfática que a autonomia do BC foi aprovada pelo Congresso e que não vão voltar atrás”.

Lula, que, desde que assumiu, já questionou a autonomia, o presidente do Banco Central, os juros altos e também as metas de inflação perseguidas pela autarquia, voltou às críticas nesta semana quando sugeriu que pode “mudar” a lei da autonomia caso avalie que não seu resultados. A íntegra da entrevista de Lula pode ser vista aqui.

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